Brincar para Aprender: como a educação pode ser mais eficiente e leve

Brincar para Aprender: como a educação pode ser mais eficiente e leve

A tecnologia revolucionou a educação, trazendo inúmeras facilidades e possibilidades para o aprendizado.

No entanto, seu uso excessivo e inadequado pode ser prejudicial, afetando o desenvolvimento das crianças. A recente lei que restringe o uso de celulares nas escolas reforça a necessidade de encontrar estratégias eficazes para uma educação mais envolvente e eficiente. Nesse contexto, a brincadeira surge como uma poderosa ferramenta pedagógica, tornando o aprendizado mais atrativo e acessível.

A brincadeira como ferramenta pedagógica

Há décadas, a psicologia destaca a importância do brincar para o desenvolvimento infantil. As brincadeiras ajudam a resolver conflitos, reproduzir modelos e projetar o futuro. Recentemente, escolas inovadoras e focadas em uma educação crítica têm apostado no brincar orientado por especialistas como meio de estimular a criatividade e a imaginação sem perder a racionalidade.

De acordo com Denise de Felice, pedagoga e pesquisadora em neurociências da aprendizagem, muitas escolas tradicionais recorrem à medicalização para lidar com crianças que fogem do padrão esperado de desempenho. O fenômeno, conhecido como "medicamentalização da educação", leva pais a buscarem soluções rápidas para melhorar o rendimento escolar dos filhos, quando, muitas vezes, a mudança de metodologia poderia ser a resposta. A brincadeira, por sua vez, pode transformar o processo de aprendizagem, reduzindo o estresse e tornando a absorção de conhecimento mais natural e eficaz.

O cérebro aprende melhor brincando

Denise, que é diretora da ONE School, escola bilíngue de educação infantil e ensino fundamental da Casa Thomas Jefferson, explica que o cérebro humano reage instintivamente a situações de ameaça com três respostas: congelamento, fuga ou luta. Essas reações não passam pela área frontal do cérebro, onde ocorre o processamento de pensamentos mais elevados. No entanto, o brincar proporciona um ambiente seguro e prazeroso, ativando o sistema límbico e facilitando a aprendizagem. "O cérebro é um órgão que adora aprender brincando", destaca a pesquisadora.

Escolas que adotam metodologias baseadas no brincar conseguem melhores resultados tanto para os alunos quanto para as famílias, especialmente quando as atividades acontecem ao ar livre. A combinação entre um ensino sólido e a ludicidade fortalece o desenvolvimento socioemocional, permitindo que a criança se engaje no aprendizado de maneira leve e eficiente.

O papel da família no aprendizado através da brincadeira

Além do ambiente escolar, o brincar em família também desempenha um papel fundamental no desenvolvimento infantil. Brincar na natureza, longe de telas e dispositivos eletrônicos, estimula a criatividade e a formação de conexões neurais essenciais para o aprendizado. "Criança precisa de desafios", afirma Denise. Atividades simples, como cortar papel, lavar louça ou explorar elementos naturais, ajudam no desenvolvimento motor e cognitivo.

Quando a educação baseada na brincadeira se estende para o ambiente familiar, os resultados são ainda mais impactantes. Crianças que crescem em um ambiente estimulante e livre de excessos tecnológicos tornam-se adultos mais preparados para enfrentar desafios com criatividade e resiliência.

Casa Thomas Jefferson, 2/Abr/2025